O
Direito impacta no âmbito político, econômico e social quando a obrigatoriedade
da norma jurídica é manifesta após as transgressões, tendo como desdobramento
uma sanção socialmente imanente, ou seja, em caso de violação ficam sujeito as
consequências oriundas das normas. Nesses âmbitos o Direito é representado em
sua efetividade social em que se examina a dimensão real do fenômeno jurídico.
A transição política brasileira tem como
marco jurídico a Lei da Anistia (Lei nº 6.683 de 28 de agosto de 1979). Os
fatores que antecedem o surgimento da lei tem como marco histórico o dia 01 de
abril de 1964 na qual foi instaurado um novo regime no Estado brasileiro: o
regime militar que se perdurou por 21 anos. Esse período da ditadura brasileira foi
marcado por perseguições políticas e repressão de direitos daqueles que se
opunha ao regime militar. Os opositores eram estudantes, artistas e inúmeros
setores das classes médias urbanas que lutavam por modificações nacionalistas,
por uma base educacional melhor e também pela reforma agrária. As perseguições
resultaram em inúmeros atos de tortura, desaparecimento, violência moral e
sexual além de assassinatos. Nessa época, lutar pela democracia era motivo
suficiente para ir para a prisão ou até mesmo ser vítima de atos de crueldade.
A Lei da Anistia surge em 1979 com a passagem
da ditadura para a abertura democrática do Estado, consiste no perdão
unilateral que o Estado brasileiro concede a todos quantos cometeram crimes
políticos ou conexos com estes. Depois da Constituição Federal de 1988, com as
constantes e propulsoras transformações que o Direito assume nas esferas
políticas, econômicas e sociais, o conceito de anistia é totalmente diferente
do proposto em 1979. Na atualidade, o Estado pede perdão aqueles cidadãos que
lutaram contra os golpistas e por isso sofreram prejuízos morais e materiais.
Ao conceder anistia e pedir perdão o Estado brasileiro confirma seu compromisso
com o Direito, procurando fazer “justiça”, ainda que tardia, a aquelas pessoas
que foram vítimas do arbítrio e garantindo o exercício dos direitos políticos
suspensos.
Os direitos políticos podem ser compreendidos
como o conjunto de regras que regulamentam a participação da população de um
país no processo político do mesmo. Envolve a participação dos cidadãos na vida
pública, permitindo-lhes participar das tomadas de decisões que envolvem a vida
pública do Estado e da sociedade. Esses direitos se desenvolvem por meio de
regras que dizem respeito à escolha de representantes para o exercício do poder
em nome do povo ou pela própria participação direta dos cidadãos no exercício
do poder. Na ordem jurídica brasileira, os direitos políticos podem ser
identificados no paragrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de 1988
(CF/88). Esse dispositivo constitucional encontra-se especificação no Título
II, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo IV, Dos Direitos Políticos,
nos artigos 14 a 16 também da CF/88.
Considerando que o Estado brasileiro hoje
reconhece os prejuízos materiais e morais causados a aqueles cidadãos vítimas
de inúmeros crimes políticos, de que forma tem cumprido com o seu papel para um
efetivo resguardo e abrigo às violações dos direitos humanos?
Quanto aos procedimentos metodológicos, esta
pesquisa faz referência a algumas características fundamentais para compreensão
das etapas da pesquisa realizada. Segundo as bases lógicas de investigação, a
pesquisa é classificada pelo método dialético uma vez que os fatos não podem
ser interpretados fora de um contexto social, político e econômico. Quanto à
abordagem do problema, a pesquisa é qualitativa, pois buscam compreender quais
são as medidas adotadas pelo Estado para resguardo e abrigo às violações dos
direitos humanos. Segundo o objetivo geral a pesquisa é classificada como
descritiva. Quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de pesquisa
bibliográfica, pois será desenvolvida com base material em artigos, livros e informações
nas redes eletrônicas.
Na próxima seção será apresentado o
desenvolvimento de pesquisa abordando a contextualização antes e depois da Lei
de Anistia. Em seguida serão apresentadas as medidas que o Estado brasileiro
tem realizado para o resguardo e abrigo às violações dos direitos humanos.

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